Publicado em: 22/05/2019 19h46 – Atualizado em: 23/05/2019 18h11

Justiça Federal de Campo Grande-MS é pioneira em projeto de escritório-container

 

A crescente escassez de recursos públicos no Brasil vem impondo grandes sacrifícios aos órgãos da administração pública direta e indireta. Importa notar que as necessidades públicas são infindáveis e estão sempre se renovando, diante dos parcos recursos orçamentários que têm de ser administrados na atual realidade.

No Poder Judiciário Federal a situação é análoga. Ano após ano aumentam as demandas judiciais e consequentemente as atividades administrativas para atendimento da área fim, porém o orçamento público disponibilizado não tem acompanhado proporcionalmente tal crescimento. Ao contrário, tem havido sistemáticos cortes orçamentários.

Nesse cenário cada vez mais carente de verbas, cabe não apenas a obrigação da administração pública enquadrar-se à presente realidade, mas que seus agentes sejam mais racionais e inovadores em suas escolhas organizacionais, pois a sociedade atual vem enfrentando escassez de recursos naturais, bem como os impactos ambientais resultantes do modelo de produção e consumo adotado no último século.

Com efeito, foi definido pelas Nações Unidas, durante a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que desenvolvimento sustentável é a capacidade de continuar desenvolvendo a sociedade de forma a atender as necessidades da geração atual e também garantir as necessidades das gerações futuras. Assim, é importante estabelecer as prioridades a serem adotadas no momento da definição e da execução dos gastos públicos.

Cada vez mais, ideias inovadoras são necessárias para dar resposta às demandas da sociedade e para a modernização da gestão pública, promovendo a inovação no judiciário federal, minimizando custos, sendo sustentável e ampliando os espaços físicos. Face a isso, a Direção do Foro aprovou a ideia da Seção de Engenharia da Justiça Federal da capital  de implantar escritórios-contêineres para abrigar áreas administrativa e judicial.

O escritório-container associa ganhos em economia e tempo, inovação e sustentabilidade em sua concepção, conforme explica o engenheiro-civil Frank Rogers Pereira, servidor e responsável pela realização do projeto:  “ O contêiner ou contentor é uma caixa feita em aço, alumínio ou fibra, muito bem estruturada para resistir ao uso constante de transporte de mercadorias de diversos tipos. É resistente à chuva, incêndio e outras intempéries. Sua utilização originária era para o transporte marítimo, sendo que para esse fim o mesmo tem vida útil de cerca de 10 anos. No entanto, a vida real do container é de 100 anos; ou seja, geraria uma média de 92 anos de “inutilidade forçada”.

Pensando nesse infindável período “ocioso” e o lixo de material gerado, os contêineres vieram a "calhar" perfeitamente como uma alternativa construtiva, benéfica ao homem e à natureza, aliados a uma arquitetura moderna e criativa. A aplicação do container na construção civil é sustentável pelo próprio reuso do material. O aproveitamento representa um descarte a menos na natureza. Ademais, os próprios contêineres já são totalmente fabricados com materiais recicláveis e reaproveitáveis, afirma o engenheiro.

Em sua visão, outros fatores colaboram com a natureza durante a obra, como a não produção de entulho e o não desperdício de água e energia no processo de construção. Ainda, o relevo natural do terreno é respeitado, uma vez que a fixação do módulo não precisa de uma fundação, preservando até 90% do solo e do lençol freático, facilitando o escoamento da chuva. Isso permite a instalação de um sistema desse recurso hídrico, por exemplo.

Ele também afirma que implantar o container escritório é extremamente sustentável, essencialmente em questão da redução dos recursos naturais no decorrer da obra, como cimento, tijolos, madeira, ferro, água, pedra e areia. Sem falar que, em uma possível mudança, a estrutura não precisará ser demolida, apenas devolvida à locadora ou movida para outro espaço. Assim, não existirá a formação de resíduos. A economia na sua execução é gritante em relação a outros processos construtivos, como, por exemplo, alvenaria convencional com estrutura em concreto ou metálica, ou alvenaria estrutural.

Frank faz uma comparação em relação ao sistema construtivo mais comumente usado no Brasil (alvenaria com estrutura em concreto), onde a redução de custos importa em até 25% (vinte e cinco por cento), além disso, o ganho temporal é de alguns meses para sua instalação, tornando esse sistema excepcionalmente vantajoso no binômio prazo-custo. Também não ocorre a necessidade de termos aditivos da obra, porque segue especificações bem detalhadas, evitando gastos inesperados.

Ante as incontáveis vantagens que a instalação de contêineres-escritórios se mostrou, a Direção do Foro da JFMS acolheu a inovadora ideia proposta pela Seção de Engenharia e autorizou a aquisição de dois escritórios contêineres para instalação no prédio-sede da Justiça Federal de Campo Grande, tornando este fórum pioneiro na implantação de escritório-container no Judiciário Federal.

Nos dois contêineres adquiridos e instalados neste prédio sede funcionam as Seções de Engenharia, Comunicação Social, Contratos, Benefícios e Assistencial Social, além dos Setores de Manutenção Predial e Expedição e Recepção de Correspondências. Assim, possibilitou-se enorme ganhos de áreas para abrigar os servidores que atuam nas referidas seções e setores, que praticamente se amontoavam no espaço predial existente.

Diante das dificuldades enfrentadas pelo setor público, especialmente a escassez de recursos, cabem aos agentes públicos mudarem os paradigmas de atuação, buscando inovações que otimizem os recursos disponíveis, primem pela sustentabilidade, promovam benefícios organizacionais e, por último, o objetivo maior: atendam aos anseios da sociedade. 

Seção Comunicação Social